
In: Santos, U.P.; Matos, M.P.;
Morata, T.C.; Okamoto, V.A. Ruído
Riscos e Prevenção. 2ª ed.
Editora Hucitec, São Paulo, 1996
MEDIDAS DE CONTROLE DO RUÍDO
Marcos Paiva Matos & Ubiratan de Paula
Santos
Embora seja o ruído um dos agentes
mais comuns nos locais de trabalho, e existirem medidas eficazes no seu controle, ainda
são poucas as empresas que adotam medidas de controle e programas de conservação
auditiva.
0 senso comum sugere sempre o uso
de protetores auriculares para evitar os efeitos do ruído. Nas discussões diárias entre
trabalhadores e empresários e nas ações dos serviços que avaliam os ambientes de
trabalho, a tônica é a discussão entre medidas coletivas versus medidas individuais,
estas sempre preferidas pelas empresas, apesar de referirem pouca adesão dos
trabalhadores.
É preciso reconhecer que este
debate é muito mais amplo, porque amplas são as possibilidades contidas nas expressões
coletivas e individuais.
Preliminarmente é necessário
afirmar que todo esforço deve ser realizado na criação de ambiente e condições de
trabalho adaptadas ao homem, e que a discussão proteção coletiva x individual não faz
sentido.
Como em todo campo da saúde do
trabalhador, também neste a participação dos trabalhadores na discussão das medidas de
controle do ruído é importante, não apenas por razões de natureza democrática, mas
porque eles podem desempenhar papel determinante no monitoramento ambiental, na
identificação de problemas e soluções em suas atividades diárias.
Para reduzir o ruído, é
importante relembrar que o som se propaga no ar e nos sólidos sob forma de vibração. A
maior parte das fontes sonoras produzem simultaneamente ruídos aéreos e ruídos
transmitidos por vibrações de sólidos.
As viabilidades técnicas de
redução do ruído devem ser buscadas incessantemente, pois normalmente o ruído tem
múltiplas causas e todas elas devem ser estudadas e tratadas.
As medidas de controle do ruído,
essenciais no PCA, podem ser resumidas de maneira sucinta a três grupos em conformidade
com as soluções propostas. Pela extensão do tema, afeto à higiene industrial na área
de acústica, procuramos sistematizar um conjunto de medidas e exemplos que possibilita
uma introdução às inúmeras alternativas possíveis de controle (Figura 37).
Figura 37 Representação
esquemática das numerosas possibilidades de intervenção para redução do ruído no
ambiente de trabalho (Thieme, D., 1979)
-
Intervenção
Intervenção
Intervenção
- na fonte
emissora sobre a propagação
sobre o trabalhador
Intervenção na fonte
emissora:
1. Eliminação ou substituição
com maquina mais silenciosa
2. Modificação no ritmo de
funcionamento da máquina
3. Aumento da distância e
redução da concentração de máquinas
Intervenção sobre a propagação:
4. Suportes antivibrantes
5. Enclausuramento integral
6. Enclausuramento parcial
7. Barreiras
8. Silenciadores
9. Tratamento fonoabsorvente
Intervenção sobre o trabalhador:
10. Isolamento em cabine silenciosa
11. Redução do tempo de
exposição
12. Equipamentos de proteção
individual
A) INTERVENÇÃO SOBRE A FONTE
EMISSORA
Consistem basicamente nos seguintes
aspectos:
- aumento da distância da fonte emissora
- redução da concentração das máquinas
- substituição por máquinas mais silenciosas
- alteração no ritmo de funcionamento
- melhoria ou adequação da manutenção preventiva
- alteração na fonte emissora
Para atuar sobre a fonte emissora
é importante projetar as plantas industriais e demais atividades, visando a necessidade
de um ambiente controlado. Modificar uma máquina ou um processo de produção já em
andamento é uma tarefa mais difícil do que projetar um ambiente silencioso, antes de
colocá-lo em atividade.
Para controlar ou reduzir o nível
de emissão de ruído de máquinas e equipamentos, diversos procedimentos podem ser
utilizados, tais como:
- a escolha de fontes de energia e de transmissão que
permitam regulagens de velocidade, pois este fator contribui muito para que a máquina
seja mais silenciosa
- munir de silenciadores as saídas de ar de válvulas
pneumáticas
- utilizar modelos de ventiladores mais silenciosos ou
colocar silenciadores nos condutores do sistema de ventilação
- escolher o tipo adequado de bomba no sistema
hidráulico
- dotar de silenciadores as entradas dos compressores
de ar
- instalar motores e transmissões elétricas mais
silenciosas
- equipar os sistemas hidráulicos com reservatório
de óleo bem reforçado (bastante massa)
- dotar de amortecedores os circuitos hidráulicos
- munir os condutores dos sistemas de ventilação de
silenciadores de modo a evitar que o ruído se propague dos locais ruidosos para locais
silenciosos
- evitar ou reduzir os choques entre os componentes
das máquinas
- reduzir progressivamente os movimentos alternativos,
e se possível eliminá-los
- substituir partes metálicas por partes plásticas,
mais silenciosas
- blindar as partes ruidosas das máquinas.
Importante papel atribui-se à
manutenção e modificação das instalações existentes uma vez que se pode diminuir ou
eliminar os ruídos gerados pelo impacto ou atrito de partes, causados por defeitos de
operação ou manutenção inadequada.
Nestes casos podem ser tomadas
medidas simples como:
- manter lubrificadas e em bom estado as engrenagens
- reduzir a altura de queda dos produtos para
recipientes e contentores
- aumentar a rigidez dos contentores e trata-los
acusticamente
- amortecer os choques com uso de revestimentos de
borracha ou plástico de grande resistência a desgaste
Também nos sistemas de transporte
de materiais, diversas medidas podem ser observadas:
- os transportadores de tela são
mais silenciosos que os de rolo
- a adaptação da velocidade da tela deve ser feita
conforme a quantidade de pessoas a transportar para evitar ao máximo as paradas, pois os
arranques sempre geram níveis elevados de ruído
- uma lubrificação bem feita das engrenagens e
partes móveis também contribui para evitar geração ou aumento dos níveis de ruído.
Alguns exemplos:
1. Substituição por maquinas ou
atividades mais silenciosas
Ventiladores:
Substituir por ventilador com menor
velocidade (giros/m) mas com diâmetro maior para manter igual capacidade. 0 ruído de um
ventilador aumenta (com a quinta potência) com o aumento do numero de giros.
Correias:
Não utilizar correias velhas, elas
devem ter boa elasticidade.
- substituir correias dentadas por trapezoidais
- manter tensão adequada
Equipamento a ar comprimido
portátil:
- substituir por elétricos.
Engrenagens:
- utilizar baixa velocidade e carga reduzida
- substituir engrenagens com dentes de metal por de
material plástico
2. Alterações na fonte emissora
As rápidas vibrações das
moléculas de ar que produzem ruído podem originar-se de causas mecânicas e
aerodinâmicas. Diversas medidas que atuem nelas podem contribuir para a redução do
ruído. Por exemplo:
Causas Mecânicas:
Quando a vibração de ar decorre
de vibrações de um corpo:
- Reduzir a força aplicada
- Reduzir a superfície vibrante
- Reduzir a capacidade de emissão da superfície
vibrante (revestindo-a com material amortecedor)
Por exemplo, em prensas ou
guilhotinas, utilizar punções com seções angulares em relação ao plano de trabalho.
Isto permite distribuir no tempo a energia global aplicada, com menor emissão de ruído.
Causas Aerodinâmicas:
- Reduzir a velocidade do fluido
- Reduzir a turbulência do fluido.
Por exemplo, um ventilador deve
trabalhar nas condições de máximo rendimento giro e capacidade. Nesta condição
as pás criam menos turbulência no ar e menor nível de ruído.
3. Distancia da fonte e redução
da concentração de maquinas
Em áreas livres, sem reflexão do
ruído, a cada duplicação da distância da fonte, o nível de pressão sonora se reduz
em 6 dB.
Esta condição não se encontra na
prática em locais industriais, apenas em operações a céu aberto (pedreiras, por
exemplo). Mas, nas indústrias com adequação de leiaute, se pode conseguir reduções
importantes dos níveis de ruído.
B) INTERVENÇÃO SOBRE A PROPAGAÇÃO
Toda vez que tratamos de
vibrações ou oscilações aparece o conceito de ressonância. Uma maneira de visualizar
este fenômeno, dentro do campo da mecânica, pode ser o seguinte: imaginemos um elemento
inercial (uma massa) e um elemento elástico (uma mola) que ligue o primeiro a um plano de
referência.
Com o sistema em equilíbrio
estiramos a mola (ressonância) e a soltamos. A massa oscilará em torno de seu ponto de
equilíbrio.
A freqüência desta oscilação
será independente do alongamento causado inicialmente, pois dependerá somente das
constantes de massa e do ressonante (mola). Podemos dizer que a freqüência é algo
próprio do sistema, o que denominamos freqüência própria ou freqüência de
ressonância. Se em vez de uma excitação brusca (ao estirar o ressonante) aplicarmos uma
força variável com o tempo e de uma freqüência igual a de ressonância, as
oscilações irão adquirir amplitude máxima. Por sua vez nesta freqüência o sistema
necessita de um mínimo de energia para começar a oscilar. Na verdade necessita apenas da
energia dissipada pela fricção interna do ressonante e do atrito com o ar.
Por outro lado se vibrarmos o
sistema com uma força de outra freqüência os deslocamentos que se obtém serão de
muito menor amplitude. Podemos dizer que, em ultima instância, o fenômeno de
ressonância pode explicar-se como um comportamento seletivo com a freqüência de um
sistema mecânico.
0 fenômeno da ressonância
mecânica adquire também importância especial do ponto de vista de segurança de
estruturas, como pontes, edifícios, redes de alta tensão etc. Tanto isto é verdade que
uma falha na avaliação das forças atuantes (e suas freqüências) pode levar a
destruição das estruturas citadas.
As intervenções sobre a
propagação podem ser resumidas em:
1. blindagem e barreiras
A blindagem pode ser um bom meio de
se reduzir os níveis de ruído, quando a diminuição na fonte for inviável ou
insuficiente. Para isso recomenda-se:
- utilizar metal na blindagem exterior (chapa
metálica, grossa e pesada)
- utilizar material absorvente de som no interior,
como por exemplo lã de vidro, lã de rocha, espuma de poliuretano ou borracha
- instalar na blindagem portas de visita fáceis de
abrir para facilitar a manutenção
Na seqüência de desenhos (ver
Figura 38) podem ser vistos vários exemplos de tratamentos acústicos de uma máquina:
a) máquina sem tratamento
acústico os níveis de ruído no ponto M variam entre 84 e 90 dB
b) montagem de máquina sobre um
amortecedor de vibração há uma redução dos níveis de ruído na freqüência
próxima a 200 Hz
c) a colocação de uma simples
barreira diminui o ruído de médias e altas freqüências
d) blindagem rígida há uma
redução de maior intensidade começando em freqüências mais baixas
e) blindagem com isolamento
há uma acentuada diminuição dos níveis de ruído com particular incidência em altas
freqüências
f) blindagem rígida e montagem da
máquina sobre amortecedor de vibração nas freqüências baixas ocorre uma
acentuada atenuação e nas freqüências elevadas a atenuação é semelhante ao caso
anterior
g) blindagem com isolamento e montagem da máquina
sobre amortecedor de vibração o ruído de freqüências inferiores a 150 Hz
desaparece e a atenuação das freqüências elevadas é maior que no caso anterior
h) dupla blindagem com isolamento e montagem
antivibratória os ruídos de freqüências elevadas desaparecem e há uma nova
atenuação nas baixas freqüências. Muitas vezes é necessário prever uma abertura na
blindagem para ventilação. Nestes casos:
i) blindagem com janela e montagem antivibratória
comparando com o exemplo "f", verifica-se a grande importância que a
janela desempenha na elevação geral dos níveis de ruído de freqüências elevadas e a
pequena importância nas baixas freqüências
j) blindagem com janela, com atenuação de ruído
e montagem antivibratória em relação ao caso anterior as freqüências elevadas
sofreram uma atenuação bem acentuada.
Figura 38 Exemplos de
tratamento acústico blindagens, barreiras, amortecedores

2. Silenciadores
São utilizados para evitar a
propagação do ruído por via aérea. Podem ser de tipo dissipativo ou de ressonância.
Os silenciadores dissipativos
consistem no tratamento do conduto por meio de revestimento com materiais fonoabsorventes
porosos. Os silenciadores de ressonância consistem no tratamento do conduto com materiais
nos quais o ruído se dissipa pelo fenômeno de ressonância.
3. Tratamento Fonoabsorvente
Quando um som incide sobre uma
barreira, somente uma pequena proporção de energia sonora atravessa esta barreira. A
maior parte deste som é refletido com um ângulo de incidência ou absorvido a depender
do coeficiente de absorção do material que forma a barreira.
A capacidade de isolamento
acústico de uma parede separando duas salas é chamado de índice de atenuação e é
expresso em decibéis.
A energia sonora é absorvida todas
as vezes que a onda sonora se encontra com um material poroso. Os materiais utilizados
para esta finalidade são chamados de materiais absorventes e podem absorver de 50 a 90%
da energia sonora incidente, conforme a freqüência. Num local onde existam muitos
materiais absorventes o nível de ruído diminui regularmente com o coeficiente de
absorção dos materiais. Entretanto se a sala é formada por paredes lisas e duras, com
certeza a absorção será insuficiente e o nível sonoro poderá ser igual em qualquer
ponto da sala.
Figura 39. Reflexão, Absorção e
transmissão do ruído. Parte do som que atinge uma parede é refletido, parte absorvida e
outra transmitida.

Para ruídos de banda larga de
freqüência e superfícies de diferentes áreas e tipos, as características do local
podem ser definidas por uma constante chamada "R", que pode ser relacionada de
forma relativamente simples com o nível de pressão sonora médio do local e a potência
acústica da fonte.
- R= aS
- ------
- 1-a
em que: "a" é o
coeficiente médio de absorção do local e "S" é a área total da superfície.
0 coeficiente é definido por:
- a1 S1 + a2 S2 + .....an Sn
- --------------------------
- S1 + S2 + ......Sn
em que:a1, a2 e an são
coeficientes de absorção das superfícies S1, S2,Sn.
Se a superfície absorve totalmente
o som (não reflete nada) tem um coeficiente de absorção = 1 e se a superfície é
totalmente refletiva (não absorve nada) tem o coeficiente = 0.
Alguns exemplos:
Em prensas mecânicas podem ser
colocados anteparos de vidro de segurança (espessura 6 mm), que permitem ao operador
olhar o ponto de operação, mas refletem o ruído produzido no estampar, principalmente
quando se usa ar comprimido de alta freqüência para extração de peças. Reduções de
l0 dB tem sido notadas nestes casos.
Nos locais de trabalho em que o
teto, as paredes e o piso são revestidos de materiais duros, os sons quando atingem estas
superfícies são quase todos refletidos para o interior do ambiente.
0 nível do ruído ambiente
decresce rapidamente quando nos afastamos da máquina, mas a partir de certo ponto
permanece constante. 0 ruído causado pela reverberação, isto é, a reflexão do ruído
nas paredes e o ruído causado por outras fontes tornam-se mais elevados que o próprio
ruído da máquina.
Nestes casos o ambiente pode ser
rnelhorado tomando-se as seguintes providências:
- revestir o teto com material absorvedor acústico
como por exemplo painéis de lã de rocha que reduzem a reflexão do ruído. Com esta
medida a reverberação da onda sonora pode ser reduzida sensivelmente
- montar tetos e paredes com material altamente
absorvente
- escolher o material que oferecer maior coeficiente
de absorção para o tipo de ruído que se quiser tratar (ver Tabela IV).
A vibração das máquinas pode ser
causada ou acentuada por um desgaste de partes metálicas, desbalanceamento da máquina ou
até mesmo por causa de um parafuso mal apertado. Estando a máquina em bom estado, pode
ela possuir uma vibração ainda significativa. Nestes casos deve-se evitar que a
vibração se propague pela estrutura da edificação. Para tanto podem ser adotadas as
seguintes providências:
- isolar as máquinas das vibrações por meio de
suportes rígidos e independentes. Fixar as máquinas sobre estes suportes de forma que
ela fique de forma estável recorrendo a elementos elásticos isolantes, como, por
exemplo, placas de borracha ou molas de aço colocar as máquinas pesadas sobre
fundações especiais, completamente isoladas da edificação
- isolar das vibrações as superfícies das máquinas
para assim diminuir a emissão do ruído através das estruturas
- procurar isolar os painéis fora da superfície
vibrante da máquina para diminuir a área vibrante e em conseqüência o ruído.
Tabela IV. Valores médios de
Coeficientes de absorção acústica
FREQÜÊNCIAS (Hertz)
| MATERIAIS |
125 |
250 |
500 |
1.000 |
2.000 |
4.000 |
| Reboco
áspero, cal |
0,03 |
0,03 |
0,03 |
0,03 |
0,04 |
0,07 |
| Reboco liso |
0,02 |
0,02 |
0,02 |
0,02 |
0,03 |
0,06 |
| Superfície de
concreto |
0,02 |
0,03 |
0,03 |
0,03 |
0,04 |
0,07 |
| Tapetes de
borracha |
0,04 |
0,04 |
0,08 |
0,12 |
0,03 |
0,10 |
| Taco colado |
0,04 |
0,04 |
0,06 |
0,12 |
0,10 |
0,17 |
| MATERIAIS |
125 |
2500 |
500 |
1.000 |
2.000 |
4.000 |
| Tapete de
veludo |
0,05 |
0,05 |
0,10 |
0,24 |
0,42 |
0,60 |
| Chapa leve de
lã de madeira, de 25cm, em parede rígida |
0,04 |
0,13 |
0,52 |
0,75 |
0,61 |
0,72 |
| Feltro de
fibra natural de 5mm, diretamente na parede |
0,09 |
0,12 |
0,18 |
0,30 |
0,55 |
0,59 |
| Madeira
compensada de 3mm, a 50mm da parede, Espaço vazio |
0,25 |
0,34 |
0,18 |
0,10 |
0,10 |
0,06 |
| Lã mineral de
50mm, coberta de papelão denso |
0,74 |
0,54 |
0,36 |
0,32 |
0,30 |
0,17 |
| Vidro plano de
3-4mm com 50mm de espaço e amortecimento nas bordas |
0,23 |
0,11 |
0,09 |
0,01 |
0,01 |
0,03 |
| Caixões de
chapa perfurada com chapas de feltro de lã de vidro de 30mm suspensos a 180mm |
0,30 |
0,43 |
0,61 |
0,62 |
0,85 |
0,86 |
| Chapa
perfurada, forrada de lã na frente, 40-50mm de espaço vazio |
0,01 |
0,03 |
0,10 |
0,16 |
0,17 |
0,20 |
| PRODUTOS
COMERCIALIZADOS |
125 |
250 |
500 |
1.000 |
2.000 |
4.000 |
| Terma-Mil
espessura 30mm Marca: Acustic-Termic |
- |
0,48 |
0,80 |
1,00 |
0,97 |
0,83 |
| Acustic-Mil
espessura 25,4 mm marca Acustic-Termic |
- |
0,24 |
0,65 |
0,87 |
0,99 |
1,03 |
| Art Custic-Mod
60/65 marca: Art Spuma Ltda |
0,24 |
0,77 |
0,63 |
0,67 |
0,71 |
0,83 |
| Eucavid Painel
densidade 40kg/m² marca Eucatex |
0,25 |
0,48 |
0,66 |
0,87 |
0,94 |
0,94 |
| Eucavid Feltro
espessura 25mm marca Eucatex |
0,23 |
0,49 |
0,58 |
0,77 |
0,87 |
0,92 |
| Eucavid Feltro
espessura 50mm marca Eucatex |
0,39 |
0,70 |
0,95 |
0,94 |
0,96 |
0,95 |
| Isoacustic
marca Eucatex |
- |
- |
0,35 |
0,65 |
0,77 |
0,65 |
| PRODUTOS
COMERCIALIZADOS |
125 |
250 |
500 |
1.000 |
2.000 |
4.000 |
| Forrovid marca
Santa Marina |
0,57 |
0,81 |
0,64 |
0,66 |
0,43 |
0,25 |
| Therma Kust
marca Santa Marina |
0,20 |
0,62 |
0,99 |
0,64 |
0,43 |
0,27 |
| Pistofibra
marca Santa Marina |
0,08 |
0,30 |
0,67 |
0,90 |
0,94 |
- |
| Mini Sonex
20/35 marca Trorion-Illbruck |
0,04 |
0,12 |
0,28 |
0,44 |
0,60 |
0,73 |
| Mini Sonex
35/35 marca Trorion-Illbruck |
0,06 |
0,20 |
0,45 |
0,71 |
0,95 |
0,89 |
| Sonex 75 50/75
marca Trorion-Illbruck |
0,07 |
0,32 |
0,72 |
0,88 |
0,97 |
1,01 |
| Sonex 75 75/75
marca Trorion-Illbruck |
0,13 |
0,53 |
0,90 |
1,07 |
1,07 |
1,00 |
| Sonex 125
50/125 marca Trorion-Illbruck |
0,09 |
0,32 |
0,58 |
0,73 |
0,88 |
0,95 |
| Sonex 125
75/125 marca Trorion-Illbruck |
0,14 |
0,55 |
0,96 |
1,06 |
1,02 |
1,09 |
* Estas referências
foram obtidas através de catálogo de produtos dos respectivos fabricantes
C) INTERVENÇÃO SOBRE O OPERADOR
1. Redução do tempo de
exposição
- redução da jornada
- reorganização do trabalho
- aumento das pausas.
2. Proteção sobre o indivíduo
a) Cabines isolantes. São locais
onde os trabalhadores permanecem por períodos de tempo, intercalados no horário de
trabalho. Esta medida também é classificada como barreira ao som, entretanto como
interfere geralmente em reduzido numero de trabalhadores, usualmente só os operadores das
maquinas preferem considerá-la como não sendo coletiva.
b) Protetores auriculares. Conforme
já referido no item 4 do Programa de Conservação Auditiva-PCA (ver Capitulo 7), os
protetores auriculares encontram indicações bem precisas; necessitam ser bem indicadas e
conhecidas as suas limitações.
Existem diversos tipos de
protetores auriculares que podem ser usados conforme o tipo e aplicação desejável. Os
principais tipos são os circumauriculares (conchas) e os de inserção (plug).
b. 1. Protetores circum-auriculares
conchas
São formados por duas conchas
atenuadoras de ruído colocadas em torno dos ouvidos e interligadas através de um arco
tensor. Essas conchas devem possuir bordas revestidas de material macio para permitir um
bom ajuste na região do ouvido. A haste pode ficar posicionada sobre a cabeça, atrás da
cabeça ou sob o queixo. Os protetores deste tipo são recomendados para as exposições
intermitentes, devido a facilidade de remoção e colocação. Esse tipo de protetor é
inadequado para exposição contínua, onde o pressionamento da área circum-auditiva
apresenta grande desconforto, sendo provável a não utilização do protetor durante toda
a jornada. Possuem atenuação média de 20 a 40 dB, concentrada nas freqüências
médio-altas. Por ser muito pesado, causa desconforto no seu uso, particularmente pelo
fato de que o poder de atenuação é tanto maior quanto mais pesado for o material que o
constitui e a pressão exercida sobre o arco que prende as duas conchas.
b.2. Protetores de inserção
Os protetores de inserção são
aqueles colocados no interior do canal externo do ouvido. Tendem a ser mais confortáveis
que os circumauriculares para exposições de longa duração, especialmente em ambientes
quentes e úmidos.
Existem três tipos básicos:
Pré-Moldado: São fabricados em
material flexível como silicone, PVC, e outras formulações elastoméricas. Os de
silicone são os que apresentam maior durabilidade e resistência a deformação e ao
endurecimento, fatores importantes para a qualidade do equipamento. A atenuação e o
conforto dos protetores também dependem do tamanho e do seu ajuste correto dentro do
canal auditivo.
Protetores Auriculares
Descartáveis: São fabricados em espuma de vidro, espuma de baixa expansão ou ainda com
algodão parafinado. A principal vantagem deste tipo de protetor é o conforto.
Normalmente são encontrados em tamanho único. Este tipo de protetor não é recomendado
para ambientes que apresentam freqüentes variações de nível de pressão sonora, pois a
remoção e inserção do protetor por várias vezes, durante a jornada de trabalho, pelo
trabalhador, contribui para a ocorrência de lesões no pavilhão externo, ocasionadas por
sujeiras e corpos estranhos. É o mais indicado para a utilização com outros EPI's.
Devido ao pouco volume não apresenta problemas quando utilizado em locais com espaço
limitado, como ocorre com a concha. Não é recomendado para pessoas que apresentam algum
tipo de patologia nos ouvidos externo e médio.
Protetores Tipo Moldável: São
constituídos de um tipo de silicone e sua forma final e moldada no próprio canal
auditivo. Este protetor, se bem utilizado, fornece tão boa atenuação quanto os outros
protetores, e é muito utilizado em ambientes onde as condições de calor e umidade são
desfavoráveis a utilização de outros protetores. Os protetores de inserção possuem
atenuação média que varia conforme a freqüência do ruído. Para freqüências mais
agudas pode ser tão eficaz quanto o protetor tipo concha.
b.3. Capacete ou Elmo
Fornece atenuação média de até
50 dB. Por proteger todo o crânio, protege também contra a transmissão do ruído por
via óssea.
São indicados para uso em
curtíssimo período de tempo e para níveis que não ultrapassam a 135 dB.
Para fins práticos sugerimos
considerar valores médios de atenuação (Ver Tabela V) que embora inferiores aos
teóricos são mais condizentes com a realidade.
Tabela V. Características e
atenuação indicativa de protetores auditivos
| TIPO DE PROTETORES
AURICULARES |
CARACTERÍSTICA |
ATENUAÇÃO* |
INCONVENIENTES |
| INSERÇÃO MULTIUSO |
Disponível
em vários tamanhos. Feito de borracha, silicone, plástico ou polímeros expansivos |
15 20 dB |
Dificuldade
de encontrar tamanho exato, dificuldade em manter limpo |
| INSERÇÃO USO
DESCARTÁVEL |
Disponível
em espuma |
10
20 dB |
|
|
CONCHA |
Composto
por duas conchas de plástico revestidos por poliuretano e unidos por arco de metal |
20 40 dB |
Para
ser eficaz precisa ter certo peso e aderir bem à orelha |
* Atenuação
média, com maior eficácia para freqüências médio-altas.
É preciso ter presente, entre
outras, a grande variação da real atenuação entre os indivíduos e que na prática a
atenuação é sempre inferior ao divulgado pelas empresas vendedoras, em média 10 dB a
menos.
Estudos tem evidenciado também que
10-15% dos indivíduos que usam protetores tem atenuação abaixo do limite inferior da
capacidade de redução dos protetores. Erros no posicionamento, manutenção e trocas
inadequadas, tempo efetivo de uso, estão entre as causas mais comuns.
Escolher o protetor adequado
geralmente não e fácil. Habitualmente são fornecidos aos trabalhadores protetores de
inserção muito pequenos e conchas sem boa aderência e desconfortáveis.
Protetores velhos e sujos também
aumentam a ineficiência.
0 tempo de utilização durante a
jornada também exerce grande influência. Curtos tempos de interrupção no uso reduzem
de maneira significativa a eficácia de proteção (ver Figura 40).
Figura 40. Eficácia em dB de
protetor auditivo ideal em função do percentual de tempo de utilização durante a
jornada de trabalho

Quando da indicação do uso de
protetor deve ser levado em conta sua interferência na compreensão da voz e na
percepção de sinais, importantes no trabalho.
Em indivíduos com audição normal
(limiares para todas as freqüências menor do que 25 dB) e naqueles com hipoacusia grave
o uso de protetores influi muito pouco na capacidade auditiva, mas para indivíduos com
alterações medias pode ocorrer redução da inteligibilidade que varia de 10 a 40%.
0 uso de protetores também
interfere na percepção da localização do som, fato relevante para permitir o
reconhecimento de sinais de alarme, cuja interferência pode ser causa de acidentes de
trabalho.
Merluzzi sugere as seguintes
recomendações para o uso de protetores auditivos, considerando a situação auditiva dos
indivíduos:
- Indivíduos normais ou com hipoacusia leve (graus
1º e 2ºver Capitulo 5), o protetor exerce pouca interferência na comunicação;
- Indivíduos com hipoacusia 3º e 4º graus (média):
o uso deve ser avaliado com muita atenção. Se há necessidade de perceber sinais
acústicos, usar protetor com menor atenuação;
- Indivíduos com hipoacusia média-grave (5º grau):
uso desaconselhável se necessita perceber sinais acústicos;
- Nos casos de déficit auditivos mistos ou
neuro-sensoriais (grau 6 e 7) é desaconselhável o uso para déficit pantonal superior a
40 dB HTL, se houver necessidade de percepção de sinais acústicos;
- Para déficit pantonal transmissivo superior a 40 dB
HTL, o uso de protetor não é necessário uma vez que o ruído atinge a cóclea atenuado
de 40 dB em decorrência da alteração no aparelho de transmissão;
- Em casos de déficit neuro-sensorial pantonal
superior a 70 dB, não há necessidade de proteção, por ser ineficaz.
Com base nas considerações feitas
sobre o uso de protetores no capitulo referente ao PCA e neste, de maneira resumida
sugere-se serem observadas as seguintes orientações para o uso deste tipo de EPI:
1. Sua indicação deve integrar o
Programa de Conservação Auditiva, em que o protetor pode ser parte auxiliar
2. A indicação do protetor deve
levar em conta o trabalho desenvolvido e a situação auditiva do indivíduo exposto
3. Deve ser constituído por
materiais inertes e ser o mais confortável possível
4. Deve ser indicado
prevalecentemente para uso em curtos períodos na jornada de trabalho
5. 0 trabalhador deve poder optar
entre os tipos de protetor, observadas as recomendações técnicas. A adesão ao protetor
como um aspecto do PCA deve substituir o uso coercitivo, demonstradamente ineficaz
6. Para exposição superior a l00
dB, recomenda-se testar a capacidade de proteção de cada protetor.

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